Os 25 anos da morte de um fora de série
Os primeiros passos foram no alto da Santa Casa, onde, aliás, os clássicos Cruzeiro x Botafogo eram as atrações principais, nos anos de 1950.

Quando Tupanzinho (filho de Tupan Ernâni dos Santos, extraordinário craque das décadas de 1930 e 1940) dava os primeiros passos no futebol, tinha o apelido de Camarguinho, lembrando o atacante Oneci Camargo, que, vindo do Nacional de Porto Alegre, atuara pelo Bagé. O tenente Carlos Maria Correia, que tantos talentos revelou para o Bagé e o futebol bajeense, foi decisivo na carreira de José Ernâni da Rosa, o Tupanzinho, bajeense, nascido em 28 de outubro de 1940. No Bagé, a carreira foi marcada pela ascensão. Em 1958, já estava no grupo principal e, em 1959, teve participação importante na conquista do título de Campeão do Centenário, por um time formado por Antoninho, Gabriel, Sidnei, Carioca e Nélson Teixeira; Roberto Caramuru e Henrique Andrade; Carlos Cabral, Euzébio, Tupanzinho e Storniollo. Já era considerado um craque (o América do Rio tentou a sua contratação, depois de um breve período de testes, mas não houve acerto), quando, no início de 1961, a notícia ecoou como uma bomba na cidade: Tupanzinho havia sido negociado com o Guarany por CR$ 300 mil, o padrão monetário da época! Também com a camisa alvirrubra ele mostrou todo o seu talento, com atuações inesquecíveis, principalmente em 1962, quando o Guarany, formado por Éden, Saul Mujica, Solis Rodrigues, Augusto e Sérgio Cabral; Storniollo e Tupanzinho; Ivo Medeiros, Max Ravaza, Ênio Chaves e João Borges, ficou em terceiro lugar na Divisão de Honra, superado apenas pela dupla Gre-Nal. Em 1° de janeiro de 1963, outra vez foi protagonista de um fato que entrou para a história do futebol bajeense: Tupanzinho era vendido ao Palmeiras por CR$ 30 milhões!
Pelo clube paulista, entre 1963 e 1968, encantou pela sua categoria extraordinária, jogando ao lado de grandes jogadores como Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina, Ademir da Guia, Dudu e vários outros. Foi o palmeirense que mais gols marcou na Libertadores da América, 12. Já em declínio técnico, jogou pelo Grêmio Portoalegrense (1969) e Nacional de Manaus (1970).
Tupanzinho fixou residência em São Paulo, onde tinha negócios. Vivendo dificuldades financeiras, morreu às 11h45min de 17 de fevereiro de 1986, vítima de aneurisma cerebral, no Hospital Iguatemi, na zona sul de São Paulo. Foi sepultado no Cemitério do Araçá, na capital paulista. Em março de 1989, seus restos mortais foram trazidos para Bagé, onde estão depositados no Cemitério da Santa Casa de Caridade.
Por O Minuano Bagé
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