Melhor do Mundial sub-19, Damiris sonha seguir os passos de "Érikão"
De família humilde, jovem jogadora se inspira na pivô Érika, destaque da seleção brasileira adulta e nos times que defende na Europa e na WNBA
A rua que por tantas vezes tentou convencer Damiris de que o basquete não dava futuro foi a mesma que acordou cedo na terça-feira pedindo para ver a medalha de bronze e o troféu de MVP conquistados no Mundial sub-19 do Chile. Foi ali, diante dos vizinhos de Ferraz, zona leste de São Paulo, que a pivô de 18 anos e 1,92m percebeu o tamanho da sua façanha. Já não era mais a Damiris do Amaral. O melhor jogadora do mundo de sua geração passou a soar como sobrenome.
- A ficha ainda não caiu de que fui a escolhida. Não esperava por isso agora porque na nossa categoria há times e jogadoras muito fortes. Mas sei que treinei pra caramba para que isso acontecesse e sei que tenho que treinar ainda mais! - disse.

Sabe também que terá de aprender a lidar com os olhares, com as lentes voltadas em sua direção. Uma tortura para uma tímida declarada, que prefere mil vezes encarar a mais dura das adversárias numa quadra a ter de ficar sentada numa sala diante de jornalistas. Hortência pegou Damiris pela mão e explicou que já passou pela mesma situação, mas que seria preciso começar a se acostumar com ela.
Da mesma forma como passou a lidar com naturalidade diante de Érika e Alessandra, dois de seus maiores espelhos. Lembra como se fosse hoje do dia em que viu Érika, 1,97m de altura, no aeroporto. Pensou em pedir um autógrafo, mas logo se desfez da ideia. No ano passado, estaria recebendo dicas da pivô exatamente no dia de sua estreia na seleção adulta, diante da Espanha, no Mundial da República Tcheca.
- Desde que comecei a jogar sou fã dela. Quando a vi na minha frente pensei que fosse desmaiar. Sempre me espelhei nela e na Alessandra. Érikão é demais. Naquela partida me falou que estava comigo e que eu tinha que confiar em mim. Alessandra também brincava. Dizia que tinha idade para ser minha mãe e que ia me levar a uma matinê porque eu era menor. Tenho sorte demais. Recebi muitos conselhos delas, que me diziam que eu não tinha que ter medo. No início eu tinha receio de fazer algo errado. Pensava: "será que chuto ou não chuto?" Agora não é mais assim. Treinar com elas me fez evoluir.
A fez também ter a certeza de que está no caminho certo. Houve um tempo em que ela duvidou disso. Em 2007, quando ainda tinha 14 anos, Damiris foi convocada para a seleção sub-17 que treinava para a disputa do Sul-Americano. Passou três semanas treinando em Cabo Frio, primeira vez que passava tanto tempo longe de casa. A cada telefonema da tia a resposta era a mesma: "Isso aqui não é para mim". Dona Aparecida também se repetia e pedia para que a sobrinha ficasse. A angústia só teve fim no dia do anúncio de seu corte.
Por Globo Esporte
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